Troca de produtos tradicionais para crianças pelos eletrônicos preocupa especialistas, que criticam a imitação de adultos e o fim cada vez mais rápido do ‘mundo-do-faz-de-conta’
POR MICHEL ALECRIM, RIO DE JANEIRO
Rio - Quando as crianças abrirem seus presentes amanhã também vão começar a moldar o adulto que um dia serão. É o que explicam especialistas preocupados com a infância cada vez mais curta. O uso excessivo de jogos eletrônicos, computadores, celulares e outros aparelhos faz com que meninos e meninas já abandonem o “mundo-do-faz-de conta” logos aos 8 anos. O resultado é a perda de criatividade e sociabilidade.
O problema já preocupa a indústria de brinquedos, que tenta recuperar a função que esses objetos já tiveram. A consultora da Associação Brasileira do Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) Cecília Aflalo explica que os pequenos vivem cada vez mais confinados em casa e sem atenção dos pais. As mídias eletrônicas acabam entrando para distraí-las. “A tecnologia permite que a criança imite o mundo adulto. Isso não está certo porque ela passa a lidar com o mundo real e deixa de ser criança”, observa.
Enquanto um joguinho eletrônico afasta os meninos e as meninas do mundo ao redor, há brinquedos tradicionais que permitem o convívio com colegas e parentes, como os quebra-cabeças. Além da falta de convivência, o vício nos games prejudica o desenvolvimento psico-motor. É comum MP3, MP4 e videogames aparecerem na lista de presentes, mas pais precisam saber a hora de comprá-los.
Especialistas recomendam uso de brinquedos que estimulem o desenvolvimento dos sentidos, principalmente para os mais novos. Por isso, aqueles chocalhos baratinhos, que mexem com a audição, são tão importantes para bebês.
A aposentada Natália Vasserman, de 65 anos, ficou surpresa com a volta de brinquedos que estimulam a criatividade. Júlio Ezagui, da Toy Boy, do Shopping Tijuca, diz que muitos pais procuram produtos que permitam a participação deles. Maria Helena Masquetti, da Fundação Alana, de São Paulo, recomenda o diálogo com a criança quando ela exige um produto não apropriado. “É comum a criança ter a sensação de que se ela não tiver o celular, por exemplo, não será aceita. É preciso mostrar que ela tem que ser valorizada pelas qualidades”, orienta.
A fisioterapeuta Ana Isabel Joia, de 35 anos, admite que é difícil convencer o filho Roberto, de 3: “Mas uma coisa eu não deixo de jeito nenhum: jogos que tenham violência”.
Tecnologia com moderação
Apesar das críticas que o uso de produtos eletrônicos por crianças provoca, há especialistas que recomendam o uso da tecnologia, desde que com moderação. A coordenadora pedagógica do Comitê pela Democratização da Informática (CDI) do Paraná, Eliane Abel de Oliveira, diz que a Internet e até os jogos podem estimular a inteligência dos pequenos, desde que não passe de duas horas por dia. Ela também recomenda que os pais acompanhem o que os filhos veem na Internet.
Fonte: Jornal O Dia
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